Gigante do varejo de música HMV pede concordata

HMV

A famosa cadeia britânica especializada em música e filmes HMV entrou em concordata após mais de 90 anos de existência, tornando-se a mais recente empresa de projeção mundial no ramo a passar por sérias dificuldades em virtude da queda de vendas de CDs e afins.

A Deloitte, auditoria apontada como administradora da empresa em processo de concordata, vai manter abertas as 239 lojas da HMV no Reino Unido e na República da Irlanda – que empregam 4.350 pessoas -, enquanto avalia as perspectivas para o negócio e procura potenciais compradores.

A negociação de ações da HMV na Bolsa de Valores de Londres foi suspensa, informou a empresa em um comunicado.

A HMV, que iniciou suas atividades em 1921, tem encontrado problemas para se adaptar ao varejo online, mas suas dificuldades também refletem o mau momento enfrentado por várias cadeias das principais ruas de comércio britânicas.

Recentemente, o país testemunhou a falência da Jessops, varejista da câmeras e filmes fotográficos, e da conhecida cadeia de eletroeletrônicos Comet.

Trevor Moore, principal executivo da HMV, afirmou já ter iniciado os trabalhos com a Deloitte.

“Continuamos convencidos de que encontraremos uma saída”, ele disse a jornalistas. “A intenção é continuar com as lojas abertas.

‘Irrelevante e insustentável’

Neil Saunders, diretor da empresa de análise de varejo Conlumino, disse que a nomeação de administradores para a HMV “sempre foi inevitável”.

Ele disse: “Enquanto muitos fracassos dos últimos tempos têm sido, pelo menos em parte, impulsionados pela economia, os problemas da HMV decorrem de uma falha estrutural.

“Na era digital, onde 73,4% da música e do cinema estão online, e o modelo de negócios da HMV simplesmente se tornou cada vez mais irrelevante e insustentável”

Neil Sounders, analista

“Na era digital, onde 73,4% da música e do cinema estão online, e o modelo de negócios da HMV simplesmente se tornou cada vez mais irrelevante e insustentável”.

Ele disse que, embora a marca HMV “certamente tem algum valor” para os potenciais compradores, o modelo de negócios atual está morto.

“Não há futuro real para o varejo físico no setor da música”, disse ele.

Maureen Hinton, analista da Verdict Research, concorda que HMV foi lenta quando se trata de vendas digitais.

“Se a empresa tivesse migrado para o online há 10, 15 anos, teria uma marca muito forte, que poderia ter construído uma presença real”, disse ela à BBC. “Mas, no momento, se pensarmos online só pensamos na Amazon”.

Mateus Hopkinson, da Local Data Company, disse que os problemas com a HMV são particularmente preocupantes para os centros comerciais.

“Se você levar em conta o ocorrido a mesma semana com a Jessops, é de se esperar outros problemas nas high streets (principias ruas de comércio varejista nos grandes centros urbanos).

“E HMV particularmente tem algumas lojas muito grandes – e, obviamente, mais de 60% de suas lojas estão em centros comerciais, que serão atingidos.”.

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